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A QUESTÃO DEMOGRÁFICA

  • Foto do escritor: Antônio Isaías Ribeiro
    Antônio Isaías Ribeiro
  • 4 de fev. de 2022
  • 3 min de leitura

Atualizado: 14 de fev. de 2022


O IBGE anuncia a realização de novo censo demográfico a partir do dia primeiro de agosto deste ano. A sua conclusão vai nos dizer quantos seremos em Cairu até a meia noite do dia trinta e um de julho.

Os censos demográficos são imprescindíveis para a definição de políticas públicas e de decisões de investimento. Constituem a única fonte de referência sobre a situação de vida da população nos municípios e em seus recortes internos – distritos, bairros e localidades, rurais ou urbanos. Os dados e informações dos censos são, por isso, também indispensáveis para a construção de cenários. Mas sob a condição de que sejam analisados e interpretados. Sem a análise técnica, a discussão e interpretação, dados estatísticos acabam números “frios”, desinteressantes e distantes de cumprirem os seus principais fins, que são:

1. Orientar planos estratégicos.

2. Construir cenários de desenvolvimento.

3. Instruir políticas públicas e decisões de investimentos.

Examinemos a tabela abaixo. Ela mostra realidade que não conhecemos bem, embora nos confronte no dia-a-dia. Somos já muito mais habitantes do que o IBGE nos informa em atualizações anuais e, na prática, pode incomodar cada vez mais, porque certas demandas não se mantêm reprimidas. Há muito mais gente nas periferias das ilhas, nas vielas de povoados, demandando serviços públicos, trabalho, atenção social, cuidados humanos. Gente que veio de fora. O Censo 2010 sugere de onde está partindo a corrente que vem. Mas é só. Desconhece-se a “qualidade” dessa migração. E esse conhecimento é crucial para orientar planos da gestão pública local.


Fonte: IBGE / Elaboração: Isaías Ribeiro


O Censo 2010 concluiu que em 31 de julho de 2010 viviam em Cairu 15.374 habitantes contra 11.410 no ano 2000. Pelas projeções anuais que o IBGE realiza em vista de orientar transferências constitucionais de recursos financeiros aos entes subnacionais, o município de Cairu tem em 2021 18.666 habitantes, ou seja, a sua população teria crescido a uma taxa de 21,41% no intervalo 2010-2021. Entretanto, se aplicada apenas a taxa do período 2007-2010, mostrada na tabela, teríamos já população de 23.344 habitantes, portanto, uma diferença de 4.678 habitantes ou 25,06%. Parece claro, assim, que a prefeitura tem recebido na mesma escala menos transferências de receita do FPM – fundo de participações dos municípios.

Desde 2011 tratamos deste tema, que agora nos parece mais relevante, diante da esperada queda de receitas oriundas do gás natural e do impacto da crise COVID-19 sobre os negócios do turismo. Naquele ano escrevemos relatório ao prefeito Hildécio Meireles, do qual destacamos o trecho a seguir:

A análise dos números do Censo 2010 no contexto do Baixo Sul deixa clara, portanto, a existência de uma corrente migratória na direção das ilhas do município de Cairu. Essa corrente migratória ganha força à medida que a administração pública de Cairu investe

em instalações de educação e saúde, na melhora da prestação desses serviços, na requalificação urbanística de vilas e povoados. Essa corrente ganha força também, sobretudo nos últimos meses, devido ao noticiário passando a ideia (falsa) de que Cairu se tornou um município rico. Aqui está um ponto a merecer cuidados, pois inda não somos ricos e certamente não estaremos (ricos) em duas décadas. Sem dúvida há razões para satisfação, mas resultantes apenas de circunstâncias excepcionais favoráveis. No fundo, nós do Baixo Sul, estamos mais ou menos iguais. Em Cairu, ainda que tenhamos por certo tempo, receita superior à média regional e um diferencial de forças devidas ao ambiente insular e ao patrimônio cultural, temos enormes fraquezas a vencer até nos tornarmos ricos. São fraquezas em várias frentes como a necessidade de fortalecer a receita pública, cuidados ambientais, saneamento básico, infraestrutura para hospitalidade, educação e saúde públicas e, ainda, desenvolvimento humano e institucional.


O que fazer agora? Escrever nota ao IBGE, além de aprofundar a discussão do tema, para conhecê-lo em pormenores. Até que venha o resultado do novo censo demográfico.


 
 
 

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